27/01/2013

Meu primeiro post - Por Mari Spil


Oi pessoal! Meu nome é Mariana, sou ex-au pair retornada ao Brasil há pouco mais de um ano e este é meu primeiro post... confesso que fiquei um pouco nervosa pensando qual seria o primeiro assunto que trataria, já que quando se trata de au pair e de EUA eu desando a falar e não paro tão cedo.

Então a modo de apresentação desta minha pessoa, decidi escrever um pouco sobre como foi que eu cheguei a ser au pair e como tudo se desenrolou. Senta que lá vem história.

Em março de 2009 estava eu, há poucos meses saída de um relacionamento de quase 5 anos que não iria me levar a lugar nenhum, procurando algo para fazer com a minha vida. Já era formada, já trabalhava na área havia quase 2 anos, mas faltava algo. Queria sair, ver o mundo, juntar dinheiro e fazer um mochilão, sumir por uns tempos... não sabia. O que sabia era que tinha perdido tempo demais pensando num futuro que nunca viria, já estava com quase 25 anos e estava renascendo para a solteirice.
Então meu irmão -que também tem esse siricotico por viagens- foi numa feira dessas de intercâmbios. Eu já tinha ido outras vezes, com o tal namorado do relacionamento longo, mas nunca tinha tido coragem de largar tudo. Sempre tinha visto intercâmbio como um sonho para outros, não para mim.
Meu irmão voltou da tal feira trazendo uma sacolona de panfletos dos mais diversos programas. Comecei a folhear, e um deles (um famoso panfleto com formato de estrela, alguém conhece? Rs) me chamou a atenção: dizia algo como “Seja Au Pair nos Estados Unidos com um investimento de apenas U$S200!”.
Isso muito me atraiu, li o panfleto todo, entrei no site. Obviamente não era somente isso que iria pagar para ser au pair, mas o restante do valor era devolvido no final do programa. Aquela noite, fiquei até altas horas lendo dois ou três blogs de au pairs que encontrei numa primeira googlada. Um deles me lembro de ter destrinchado até chegar ao primeiro post. Queria saber de tudo! Logo me tornei expert em tudo que tivesse relação com au pair: todas as regras do programa, de cabo a rabo, eu as sabia. Mas...
Não tinha carteira de habilitação. Tinha adiado por muito tempo tirar a CNH, fosse por falta de dinheiro ou pouca coragem de tomar uma iniciativa. Também não tinha horas com crianças.

---- Vou dar um pulo aqui, nos meses pouco interessantes em que fiz auto-escola, entrei para o Clube de Desbravadores (os “escoteiros” da Igreja Adventista), e entrei como voluntária numa escolinha do bairro. ----

No final de julho, fiz as provas do Detran e minha CNH saiu. Também fechei as primeiras 100 horas de atividades e cuidados com crianças, então fui à agência fazer a inscrição no programa. Assinei o contrato no último dia da promoção, mesmo com as agentes um pouco descrentes do meu perfil. Eu tinha pontos a favor, mas também pontos contra: já tinha 25 anos e isso -me garantiram- contava muitos pontos junto às famílias. Meu perfil era bom, equilibrado e responsável. Mas... poucas horas com crianças e CNH muito nova deixavam minha ficha “fraca”. Não importa, pensei. Vou continuar fazendo as horas enquanto preencho o application.
Levei para casa e comecei a preencher. Fui indo atrás das referências necessárias, formulário médico, fotos, etc. Ao mesmo tempo tinha outras atividades, e uma delas foi um divisor de águas entre o que acontecera até então e o que viria no futuro.
Com os maiorzinhos dos Desbravadores e a diretoria do Clube, surgiu uma subida ao Pico do Cambirela, em Santa Catarina (onde eu morava). Ia ser uma escalada noturna, pelo caminho mais complicado, com vários paredões verticais e obstáculos diversos. Na noite de 29 de agosto de 2009, fizemos a tal excursão.
Foi realmente uma subida muito difícil, em vários momentos era somente a parede, uma corda, eu, e Deus. As pessoas que já tinham subido ou que estavam esperando para subir não podiam fazer nada, cada um tinha que escalar por si só até o próximo patamar. Mas atingir o topo, às 3 da manhã naquele vento cortante de inverno me deu uma sensação de dever cumprido como poucas vezes senti na vida.
Dormimos apenas até começar a clarear. Ao despontar o sol, o amanhecer foi de uma emoção tal, que chorei em agradecimento a Deus por me permitir ver tal beleza, e pedi muito sinceramente que me guiasse nesse caminho que estava empreendendo. Meus formulários estavam praticamente prontos, faltava uma assinatura aqui e ali... pedi que Ele não me deixasse sonhar com aquilo que não era para mim.

Depois de descer, já no domingo, descansei. No dia seguinte, mal conseguia me mexer da dor nos músculos mas mesmo assim fui trabalhar. No fim do dia, me chamaram para conversar: fui demitida.
Essa era minha resposta! “Agora é a hora” pensei comigo. Em dois dias entreguei o application. Passei hora e meia dentro da agência, a agente revisou tudo junto comigo e eu mesma dei meu submit ali, no computador da agência. Estava feito!
Em exatos 16 dias, fiquei online.
Oito dias depois, a primeira (e única) família entrou em contato.
Seis dias depois, eles pediram o match. Dia 29 de setembro.
No dia primeiro de novembro, apenas 2 meses depois de ter pedido a Deus que não me deixasse ir em frente se aquilo não fosse para mim, embarquei rumo a New York para cuidar do pequeno B., o bebê mais lindo que eu já tivesse visto, de apenas 2 meses de idade.

Logo depois que cheguei na host family, fiquei sabendo da data de nascimento do pequeno B: madrugada de 30 de agosto, exatamente o dia e o horário que eu estava alcançando o topo do Cambirela.

Imagem: Arquivo pessoal - no topo do Cambirela



3 comentários:

Joy au pair disse...

Não sei se estou muito sensível ou se é pq ando fazendo mais ou menos os mesmos pedidos à Deus (e a vontade continua em mim) mas chorei lendo seu post.
Lindo! só da mais forças a quem ainda está apenas no começo de uma longa caminhada.
bjs.

Náthaly Himmel disse...

Querooo maiss :) realmente ótimo post.

Bia's Trufas disse...

Muito lindo!